28/08/2026
Papa: pesquisas sobre IA ajudem os governos a humanizar tecnologias digitais
Cerca de 500 pesquisadores de vários países encontraram Leão XIV e foram encorajados a continuar refletindo sobre o equilíbrio no uso das tecnologias digitais, sobretudo pela velocidade no progresso das ferramentas. Não é barrar a evolução, mas desenvolver "certa ética para orientar o uso" que tem se concentrado "nas mãos de grandes atores": "é preciso garantir que o bem da família não seja sacrificado por interesses privados" e que as tecnologias digitais sejam humanizadas para servir à paz.
A audiência foi realizada na Sala Clementina, no Vaticano (@VATICAN MEDIA)
Tecnologias digitais: velocidade x equilíbrio
Em Roma, por exemplo, a conferência trouxe o tema da Inteligência Artificial e o uso equilibrado das tecnologias digitais, assim como fez o próprio Papa com a recente encíclica sobre a salvaguarda da pessoa humana nesta era, a Magnifica humanitas. Essa realidade, que afeta a vida diária de todos, também progride com muita velocidade, levando a se questionar "se, no futuro, será possível controlar essas máquinas, se o ser humano não corre o risco de se tornar vítima das próprias invenções".
A situação é preocupante, observou o Papa, pois "um dos graves problemas atuais é constatar que as decisões relativas à vida humana estão a cargo das máquinas". Um encontro de aprofundamento, como o do Instituto Internacional, disse Leão XIV, pode ajudar "as autoridades a tomar decisões nessa área para o bem da humanidade". Apelar à prudência, a auditorias rigorosas e, por vezes, a um abrandamento na adoção da IA, disse o Pontífice citando Magnifica humanitas, "não significa ser contra o progresso, mas sim exercer a salvaguarda responsável da família humana".
"Não significa ser contra o progresso, mas sim exercer a salvaguarda responsável da família humana" (@Vatican Media)
O próprio Papa Francisco, recordou Leão XIV, alertava para a "imensa expansão da tecnologia" que deveria ser acompanhada por adequada formação da responsabilidade, orientando a pesquisa técnico-científica, pela "paz e o bem comum a serviço do desenvolvimento integral do homem e da comunidade". E Prevost acrescentou:
“É importante definir uma ética que acompanhe o uso dessas importantes ferramentas, que, infelizmente, se concentram nas mãos dos grandes atores econômicos e tecnológicos, e que o Estado tem dificuldade em controlar. É preciso garantir que o bem da família humana não seja sacrificado por interesses privados. Encorajo-os a prosseguir suas pesquisas para encontrar formas e meios de contribuir com a administração pública para a humanização das tecnologias digitais, de modo que sejam a serviço da vida e da paz.”
Cerca de 500 pessoas ouviram o discurso do Papa no Vaticano (@VATICAN MEDIA)